Motley Crue Rox, baby.

Posted in Buenos Aires, Motley Crue, Rockstar with tags , , , on 22 de maio de 2011 by marianalyrio

Bienvenidos a Buenos Aires.

Esse fim de semana (20/05) fez um mês que eu me mudei para terras porteñas. E a minha comemoração particular foi me dar de presente o ingresso do show do grande Motley Crue.

Confesso que no início tava desanimada, e só comprei o ingresso porque o Motley é a banda preferida da minha irmã, e como eles não iam passar no Rio, ela não os viu. Então me encheu a paciência pra que eu fosse. Eu tava num cidade que eu ainda quase não conheço, sozinha, e o show ia ser num lugar que eu até então não sabia que existia. Mas resolvi que era melhor ir do que me arrepender depois. E, olha, foi uma sábia decisão.

O público argentino é COMPLETAMENTE insano. Só quem já viu um show por aqui vai entender o que eu tô dizendo. Sim, o público brasileiro é caloroso, é animado, mas não é nada, nada comparado com isso aqui. As pessoas vão pra se divertir ao máximo, e não param quietos um segundo sequer. Foram mais de duas horas de gritos, braços erguidos, mosh em toda a pista, todo mundo pulando… E pasmem, é proibido vender bebida alcoolica no local do concerto, então, eles fazem tudo isso sóbrios!

Bem, ter a entrada de alcool proibida não impediu que o Tommy Lee saísse da bateria no meio do show e, reclamando disso, desse uma garrafa de Jägermeister pro pessoal da pista vip, e mandassem que eles dividissem com toda a galera. Óbvio que ficou todo mundo apaixonado por ele depois disso. Falando nele, o Tommy é um espetáculo a parte. O cara simplesmente não envelhece. Ele levanta da bateria o tempo todo, conversa com todo mundo, puxa o grito da galera, um lindo. Por outro lado o Mick Mars tá quebrado. O que é compreensível se levarmos em conta que o cara tem 60 anos, uma doença degenerativa, e ainda assim tá fazendo turnê com o Crue. E apesar dele parecer um boneco de cera a maior parte do tempo, ele aprendeu espanhol só pra perguntar se a galera queria mais solo de guitarra. E foi todo meloso com os argentinos, falando de como eles são o melhor público do mundo e animando sempre que sua pouca mobilidade permitia.

Eu que já li a biografia do Nikk Sixx entendi bem o que era pra eles estarem ali, de frente pra uma turma alucinada, fazendo o que eles fazem de melhor, mais de vinte anos depois da maioria deles quase ter morrido por causa da vida maluca deles. Não tem como não se apaixonar por eles, porque é muito claro que eles amam aquilo ali. Acredite em mim, a único pensamento que se consegue ter quando as luzes apagam e o show começa é que você quer aquilo ali pro resto da sua vida. A única coisa melhor que ver uma boa banda, é estar em cima do palco. Seja Rockstar e seja feliz. É mais ou menos isso.

Tecnicamente o som tava uma droga. a guitarra do Mick tava muito estridente, e o bumbo do Tommy tava abafado e embolado com o baixo no Nikk. E bem, eles sabiam disso, e ainda assim foram mega profissionais e tentaram compensar isso em cima do palco. Não foi nada que atrapalhasse a qualidade geral do concerto, mas tecnicamente podia ter sido bem melhor. Em compensação, a voz do Vince tava um escândalo. Um tapa na cara de todo mundo que diz que os vocalistas de hard rock  tão velhos, gordos e não cantam mais nada. Ele animou todo o tempo, e ainda assim cantou como fazia nos áureos tempos do Hard.

Bom, não pretendia falar do Buckcherry, mas me sinto obrigada a fazer isso. Por que? Porque eles me deixaram com a cara no chão. É uma banda do caralho. Não é a toa que os caras tão abrindo pro Motley. Saí do estádio sentindo que tinha pago só um ingresso, e visto dois grandes shows. Eu que nem conhecia os caras, já coloquei pra baixar toda a discografia deles.

Enfim, quem não pode ir ver o Motley, eu só posso lamentar. Sério, você perdeu a oportunidade de ver na América do Sul uma das melhores bandas do planeta. Mesmo que você não goste tanto do som deles, ou ache que eles já passaram da época, uma coisa indiscutível é que eles sabem como fazem um show espetacular. Sem dúvida, o melhor show que eu já vi.

A saga Buenos Aires – Intro

Posted in Buenos Aires, Faculdade with tags , , on 26 de janeiro de 2011 by marianalyrio

Sigo eu na minha eterna busca por controlar minha vida. E por saber o que eu quero ser.. Acreditem, parece fácil quando não é com você.

Nesse ínterim, comecei a escrever sobre o meu maior problema: não ter a menor idéia sobre o que eu quero ser. Profissionalmente, pelo menos. (Não que eu saiba em outros aspectos, mas enfim.) E bem que alguém podia ter me dado alguma idéia genial… E aí uma idéia bem boa apareceu: vou me mudar pra Argentina e fazer medicina lá. Eu sei que parece bem maluco, mas acreditem, é verdade.

Não é a primeira vez que eu penso em fazer medicina, mas por milhões de outros motivos, nunca deu certo. E dessa vez, o argumento que me convenceu foi que se eu não tentar, eu nunca vou saber se essa é ou não a minha. Então, né. Se eu enjoar quando vir sangue, vou ter que tentar outra coisa. Ainda tenho esperança que algum dia eu vou saber o que quero da vida.

Mas, enfim. Eis que me encontro mais uma vez optando por um caminho. Já tem gente até apostando que eu volto antes de 6 meses, mas eu vou assim mesmo.

Portanto, inicio oficialmente a nova saga do blog: A saga Buenos Aires. 😉

Vou tentar ir contando como é o processo de lagar tudo, ir pra outro lugar, tentar outra coisa. E também as burocracias, as chatices e tal. Vai ver alguém se anima e vai comigo! haha

[Depois eu volto e termino a história anterior. =P)

A saga da formatura do meu melhor amigo*

Posted in Uncategorized on 14 de dezembro de 2010 by marianalyrio

Há algum tempo atrás chegou uma mensagem no meu celular perguntando se eu queria ir na formatura dos meus melhores amigos no fim desse ano. Dane-se que era caro, amigo é pra essas coisas. Passei 7 anos da minha vida meio longe deles (só meio, né. haha), e agora que a coisa tava acabando eu tinha que ir. Mal sabia eu que nesse minuto tinha início a saga.

Primeiro, eu precisaria de um vestido longo. Sério! Eu, nanica, enfiada em um vestido desses. Sabia que ia perder pelo menos um dia inteiro pra achar alguma coisa que não ficasse muito rídicula, e que ia precisar de um salto de 50 cm pra não parecer uma anã embalada pra presente. Algumas lojas, e minha mãe adorando tudo. Ela sabe que nunca mais na vida eu vou vestir isso de novo, então acho que ela tava aproveitando. Achei um preto. Nada demais, sem brilhos, bordados ou essas coisas. A idéia era não chamar a atenção das pessoas.

Pra minha felicidade, tudo resolvou acontecer na semana antes da festa. Prova, trabalho pra escrever, texto pra apresentar, e uma aluna (!). Sim, pela primeira vez na vida eu fui professora, e fiquei completamente desesperada montando a aula. Conclusão: não deu tempo de fazer coisas de mulherzinha pro fim de semana.

Mas tudo bem, eu poderia pelo menos fazer a unha no sábado de manhã, já que, por problemas com transporte eu não ia poder ir na cerimônia da entrega da espada deles que seria esse horário. Mas, porra! Tanto tempo e eu não vou ver eles cantarem “Adeus minha escola querida”? Então, na sexta a noite, no bar da faculdade, a gente deu um jeito de eu ligar pra um amigo que ia de carro, e tudo estaria resolvido. Então, as 5 horas da madrugada de sexta pra sábado eu cheguei em casa, liguei o rádio e fui me arrumar.

Sábado de manhã, eu gatinha, e parecendo uma muambeira. Tive que levar tudo que ia precisar pro fim de semana no braço, fingindo que eu sei andar de salto alto. Tava tão engraçado que eu ouvia as pessoas rindo atrás de mim e não tinha vontade de matá-las, eu até ria junto. Chegamos, guardei as coisas no carro, e tava o maior sol do ano. Os pobres dos meninos estavam no meio do campo de manga comprida e calça, e a gente derretendo na laterais. [Pausa: Preciso confessar que fiquei tensa quando o fotógrafo que me deu uma flor no baile dos 100 dias, passou e ficou esperando eu ir falar com ele.] Mas eu não fui, porque o campo era enorme e eu tinha que achar meus amigos  que tinham acabado de ficar ricos. haha

Voltamos pra Paracambi [sim, meus amigos moram em Paracambi], e eu passei o dia no salão, de chinelo e vestido de festa, porque minhas coisas tinham ficado em outro carro. A mulher resolveu esticar no máximo meu cabelo, e fazer alguma coisa nas pontas pra eu parecer um poodle. Mas como nem tudo é drama, na hora da maquiagem eu escolhi roxo, e fiquei igual uma drag queen. Adoro drag queens! Agora sim eu podia estar de longo e com cabelo de poodle, porque tava me sentindo diva!

[Fim da Parte I]

[Daqui a pouco eu volto pra escrever a Parte II – A Festa]

 

 

* O título tá no singular apenas por uma questão estética. Três amigos meus se formaram esse fim de semana. E sim, eu tenho muitos melhores amigos.

Star Wars Feelings

Posted in Uncategorized on 14 de dezembro de 2010 by marianalyrio

Mais uma vez eu devia estar estudando, ou fazendo qualquer outra coisa mais útil na minha vida, maaaaas, tava vendo aleatoriedades na internet. E achei um site bem massa, que gera o texto que você quiser com cenas de Star Wars V!

Bom, o site: http://www.restrainingbolt.com/esb/esb.php

Os cds que eu mais ouvi em 2010

Posted in Uncategorized on 6 de dezembro de 2010 by marianalyrio

Engraçado como minha melhores idéias aparecem quando eu tô andando de ônibus. Não sei, acho que ficar parada tanto tempo, com destino certo e sem preocupação com a paisagem cotidiana me desperta umas vontades engraçadas.

Hoje, por exemplo, me deu vonta de montar uma lista dos meus atuais cds preferidos. Não quero fazer dos preferidos da minha vida, porque assim ia ficar chato, eu ia ter que pensar muito, e ia entrar toda a clichezada de Guns e Beatles e tal. Mas escrever sobre as coisas que tão no meu mp3 agora é mais legal, e mais fácil também.

1) If you’re feeling sinister – Belle & Sebastian

Belle & Sebastian foi uma das descobertas mais legais que eu fiz esses últimos tempos. A banda é bonitinha, agradável de ouvir. É o tipo de música que me deixa deprimida se eu já estiver mal, e felizona se eu já estiver bem. É uma coisa meio flexível. E esse cd, bem, é tranquilamente o melhor deles. Acho que não tem uma música ruim, e as letras são muito boas. Destaque pra Get me Away, I’m Dying, a melhor do cd.

2) Beautiful Creatures – Beautiful Creatures

Sério, sério. É a melhor banda de Hard Rock que apareceu nos últimos anos. Pena que só rolou um cd deles, mas ainda assim, super absurdamente vale a pena. [Correção: a @helenluna contou que na verdade eles lançaram 2 cds, porém o DJ Ashba só estava na banda durante esse primeiro. Vou procurar o cd e se for bom eu aviso aqui.] Coincidência ou não, o guitarrista deles, DJ Ashba, é o mesmo do Sixx AM e da formação atual do Guns n’ Roses. Quem foi nos shows do início do ano pode ver que o cara manda bem.

3) Heroin Diaries – Sixx AM

Só pela idéia genial de fazer um cd pra ser a trilha sonora de um livro, eles já devia estar na lista das ideias geniais do mundo. Sem contar que o baixista da coisa é o Nikk Sixx (ok, você já tinha imaginado isso), e, bem, não é preciso falar dele. O cara é bom e pronto. Doido de pedra, mas bom.

O único problema pra mim são as músicas melosinhas. Se pensarmos que o livro é o diário do Sixx sobre o ano que ele quase morreu de tanto tomar heroína, o cd devia ser todode rock do mal, e ele não é. Mas ainda assim é bom.

4) (500) Days of Summer – Vários

Não sou muito fã de baixar o cd da trilha sonora dos filmes, mas no minuto que o filme acabou, eu corri pro computador pra baixar essa. É a melhor trilha que alguém já selecionou na vida. Talvez ela só faça sentido se você vir o filme, sem ele o cd pode virar mais uma coletânea de músicas alternativas. Mas se você for da turma alterna, é bem fácil você gostar.

5) Break Up – Pete Yorn & Scarlett Johansson

Primeiro de tudo, não dá pra imaginar a Scarlett Johansson fazendo alguma coisa ruim. E segundo, não baixe esperando nada muito animado. Esse é um cd pra te deixar com sorriso estampado no rosto depois de um dia cansativo. Ou num fim de semana amorzinho. Ou.. bem, deu pra entender.

6) Raro – El Cuarteto de Nos

Por último, mas não menos importante. El Cuarteto de Nos é uma banda uruguaia, e que eu baixei quase sem querer junto com mais um monte de outras coisas. Eu, muito preconceituosa, não dei muita atenção ao rock em espanhol que eles fazem, imaginando que a coisa não podia dar certo. Quebrei a cara (coisa que acontece constantemente comigo). Esse é o cd mais engraçado que eu já ouvi! Sério, faça um favor a sua vida e dá play no vídeo abaixo.

Há tempos.

Posted in MaryKill, Rockstar on 18 de outubro de 2010 by marianalyrio

Faz tempo, mas até que eu tinha a manha de rockstar, né?

Vinho Branco e Maçãs

Posted in Contos, Escritora on 6 de outubro de 2010 by marianalyrio

Barulho de areia triturada. Mesmo de dentro do carro, a praia cheirava a felicidade. Eram dois, que se confundiam em um naquela noite-não-tão-estrelada.

Não tinham canga, mas acharam uma toalha de mesa ordinária esquecida no porta-malas. Deitaram abraçados na areia quente, sorrindo, e ficaram um tempo como bobos, procurando pontos luminosos no céu.

Ela tinha 17, estudava em escola particular e morava na área nobre da cidade. Tinha acabado de chegar, irritada, do cursinho que fazia pra entrar na universidade. Se sentia artista, e passava as noites cantando pela cidade, enquanto ele a acompanhava no violão. E passavam os dias escrevendo, e discutindo, e tornando aquele lugar sem graça num universo mais emocionante. Naquela noite, planejavam o futuro, a vida para além de suas poucas idades.

Ela seria uma intelectual famosa em algum outro lugar do mundo. Algum lugar mais arejado e menos conservador e imbecil do que essa cidade de merda. Não importava onde, só queria ir, viver viajando. Sua escola seria o mundo, e sua casa, a estrada. E pra isso ela queria um companheiro. Ele iria com ela pra qualquer canto, como um paladino que acompanha sua intocável rainha. Ela queria o mundo, e ele só queria ela.

Divagaram sobre destinos, sobre morar cada ano em uma cidade, em todos os países do mundo. E contruir casas de três quartos, um pra eles e um pro casal de filhos que teriam. Escolheram seus nomes, pensaram na mobília e na cor da paredes. Ele compôs uma música, ela ganhou um anel. E só foram pra casa quando a madrugada ficou clara, largando no canto da calçada a garrafa vazia de vinho branco barato.

No ano seguinte ela foi estudar pra ser pós-doutora. Se mudou sozinha pra maior cidade do país, mas se encontrou nas luzes pulsantes da cidade. Se encontrou e se perdeu. Virou dona do próprio caminho, dona dos próprios desejos. E se esqueceu, e nunca mais voltou.

Terminou a fauldade, mas a bolsa pro mestrado não pagava bem. Nem a bolsa, nem os empregos que a trancariam em escritórios pelo dia inteiro. Virou puta. E se tornou escrava dessa cidade, agora abafada,  que lhe fornecia uma clientela de homens ricos e sem culhões.

Ele começou a beber pra esquecê-la. E bêbado só lembrava dela, e escrevia músicas pra ela. Entrou pra uma banda de rock pra se distrair nos fins de semana, e sem querer, gravou cds e fez shows em grandes festivais. Ganhou dinheiro, e hoje viaja o mundo comendo uma mulher em cada lugar que naquela noite ele desejou construir um castelo.